Proteção Vida

By 15 Maio, 2018 Vida No Comments

Ana Paulo, Zurich Portugal: “Proteção é uma decisão individual e tem a ver com cultura”

A maior preocupação com a sustentabilidade da segurança social e a necessidade de proteção através de seguros está ligada à evolução demográfica, afirma Ana Paulo, diretora do negócio Vida na Zurich Portugal. “O problema afeta toda a Europa. Verifica-se um aumento substancial da esperança de vida e, simultaneamente, há uma redução do índice de fecundidade. Temos 1,3 crianças por cada cada mulher em idade fértil, quando em 1960 existia um rácio de 3,5 crianças. Vivemos mais tempo e somos uma população cada vez mais envelhecida”.

Diz a gestora que “perante esta evidência não poderiam ser apenas os sistemas sociais públicos a complementar a reforma para manterem níveis idênticos em termos de qualidade de vida. Existe uma preocupação em toda a Europa de passar uma mensagem às gerações mais novas da necessidade de proteção vida e poupança. O sistema de três pilares é nuclear neste processo.

O Estado mantém o papel de proteção vida ao nível mínimo, as empresas contribuirão no segundo pilar, e cada individuo constituirá a sua poupança. Esta é uma estratégia que tem de ser reforçada. A mensagem tem de ser passada às gerações mais novas de que a reforma é amanhã e não daqui a 40 anos. E dado um enquadramento de taxas de juro baixas e de salários baixos, quanto mais tempo as pessoas pouparem, maior é a probabilidade de acumularem um valor para acautelar as expetativas futuras”.

Diz a gestora que há um fator que é essencial no processo de proteção: o desenvolvimento económico. “Só dessa forma é que as empresas poderão contribuir não só para a segurança social, mas também para a constituição dos planos de poupança e de proteção vida dos seus colaboradores”. Adianta a gestora da Zurich que para além da questão da reforma há um outro factor que muitas vezes não é referido mas é fundamental e o sistema social dá suporte. “São as situações de incapacidade durante a vida ativa, doença grave ou falecimento. Essas prestações são dadas pela segurança social mas mostram-se insuficientes quando algo de incerto acontece. Há um outro aspecto que do ponto de vista social é importante abordar e todos os setores da sociedade podem contribuir. Falo da informação”.

Salienta que ao longo da sua vida acontecem muitos imprevistos: “Estamos bem mas basta a fratura de uma perna ou uma doença grave e imprevista para alterar o enquadramento familiar. E por isso há necessidade dessa proteção”.

Fiscalidade e cultura

E como pode ser estimulada a contratação de proteção através de um seguro de saúde e de um seguro de vida. Diz Ana Paulo que o incentivo fiscal é aquele que no imediato cria mais apetência para que os particulares e/ou as empresas façam algo em prol dessa proteção vida. “Podem, no entanto, existir outros fatores nomeadamente os culturais. Há aqui uma mudança cultural que é preciso fazer, quer por questões de informação ou de literacia”.

E quando se fala das doenças civilizacionais, a gestora lembra que nos seguros de saúde “já se cobram pré-existências e soluções de longo prazo, e algumas sem termo. O mercado tem feito a necessária adaptação àquilo que são os requisitos dos clientes”.

E a ligação ao Terceiro Setor será inevitável? “As necessidades dos cidadãos vão criar essa ligação próxima. Aumentando a esperança de vida, a necessidade de intervenção de terceiras pessoas será fundamental. Vão aparecer soluções que conciliarão a atividade seguradora e o Terceiro Setor porque são duas áreas habituadas a desenvolverem soluções de médio e longo prazo”.

Mercados financeiros

Um tema crítico é a persistência das baixas taxas de juro que tem impedido o lançamento de produtos financeiros de poupança com sustentabilidade. A gestora continua positiva na sua análise. Diz a este propósito que “o setor segurador ao trabalhar soluções de médio e longo prazo e sendo um setor que assenta na estratégia da mutualidade dos riscos, tem toda uma organização financeira que não pensa no imediato”. Acrescenta que a indústria “tem conseguido rentabilizar os seus ativos de uma forma prudente, algo que tem sempre feito ao longo dos anos. Nunca fomos um setor de altas taxas de juro devido a este tipo de estratégia porque os investimentos têm de ser sólidos e prudentes. Claro que as taxas de rendibilidade se têm reduzido mas temos conseguido manter essa estabilidade”.

O setor tem mostrado “grande resiliência nos últimos anos, nomeadamente com a entrada de Solvência II em 2016. Cada segurador tem implementado as várias medidas para manter essa solvabilidade, somos uma atividade bastante controlada e regulamentada, e a Autoridade Supervisão tem aqui um papel fundamental na garantia da estabilidade do setor”, conclui. Refere ainda Ana Paulo que no ano em que a companhia completa um século de existência em Portugal – e que começou pela aquisição da Metrópole com o ramo Não Vida, e tendo arrancado com o Vida há 28 anos -, o ramo Vida tenha crescido 3,6% (em 2017) e represente uma quota de 2,5% do mercado nacional neste mesmo ramo. Os quatro primeiros seguradores têm quase metade da produção anual.

Fonte: Jornal Económico On-line

Keywords: Proteção Vida, Risco, Segurança Social, Rendibilidade, Zurich Portugal, Seguro de Vida, Seguros, MLEAL

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